domingo, 2 de novembro de 2008

Os Mortos




os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos

eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
       certas sinfonias
                 algum bater de portas,
       ventanias

           Ausentes
           de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
           se de fato
           quando vivos
           acharam a mesma graça

                

Ferreira Gullar

Antes de dizer "Emo!" leia isto:

Revolution Summer se refere à metamorfose da cena punk rock de Washington,DC no verao de 1985. As  bandas mais notáveis deste período são Rites of Spring e Embrace.

 A cena do punk rock e do hardcore do final dos anos 70 e começo dos anos 80 gerou dezenas de bandas de som intenso e agressivo como Bad Brains, Minor Threat e Government Issue. Essas bandas e várias outras foram documentadas através da Dischord Records, selo que ajudou a dar forma a própria definição de punk rock e hardcore, influenciando e inspirando o que se faz nesses gêneros atualmente.

Contudo, o som agressivo e acelerado que eles produziam naquele tempo estava atraindo um elemento de violência e intolerância aos locais onde estas bandas tocavam. Como conseqüência as bandas começaram a se posicionar claramente contra a violência e grupos intolerantes. Bandas como Dead Kennedys gravaram faixas como Nazi Punks Fuck Off.

Num esforço para acabar com a violência e retomar os valores da comunidade que haviam trabalhado para criar, a idéia foi lançada para começar bandas que tocavam um som mais melódico e com meio-tempo, e focar mais em temas introspectivos ou emocionais. Em teoria, esse tipo de música manteria distante o público mais violento e permitir o desenvolvimento de uma comunidade mais artística e criativa. Assim nasceu o Verão da Revolução.

Revolution Summer ajudou a redirecionar a energia da cena da capital americana e fornecer a ela um som sobre o qual se basear. Nos anos que se seguiram, bandas como Fugazi surgiriam desta mudança de direção e se expandiriam baseadas nestas idéias.

Vale mencionar que as bandas desse período são creditadas por começar o sub-genero do punk rock conhecido como emo, na época conhecido como emotional hardcore. Certamente, esse é um rotulo que tem sido aplicado a essas bandas em retrospecto e não algo como elas se rotulariam na época ou gostariam de serem associadas a, tendo em vista a forma profana com o qual o termo é utilizado hoje em dia.

Um breve documentário do Verão da Revolução é o livro Our Band Could Be Your Life ( 2001 ). O movimento também foi bem documentado no livro Dance of Days, de Mark Andersen e Mark Jenkins (2001).

Fonte: Wikipédia

Tradução – Drigo

Clique aqui ou cole a url  para fazer o upload de Bed for Scrapping do Fugazi no RapidShare.

 

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Catcher in The Rye

O Apanhador no Campo de Centeio é um romance de J.D Sallinger. Primeiramente publicado nos EUA em 1951, o livro tem sido freqüentemente contestado em seu país de origem por seu uso liberal e profano de sexualidade e angústia adolescente.

Originalmente publicado para adultos, o romance se tornou parte do currículo do segundo grau e das universidades por todo os países de língua inglesa; também foi traduzido em quase todas as principais línguas do mundo. Cerca de  250.000 cópias são vendidas a cada ano, com um total de mais de sessenta e cinco milhões de cópias vendidas até  hoje. O protagonista, Holden Caulfield se tornou um ícone para a rebelião juvenil.

O romance foi escolhido pela Time  como um dos cem livros mais importantes da língua inglesa de 1923 a 2005.

Escrito na primeira pessoa, O Apanhador no Campo de Centeio segue as experiências de Holden em Nova Iorque, nos dias que seguem a sua expulsão do colégio. Ao passo que Holden vai compartilhando as suas experiências, se torna evidente que ele está falando desde uma instituição mental, onde ele está  sendo psicanalisado. Holden compartilha os encontros que ele teve com os alunos e os professores, a quem ele critica a superficialidade, ou como ele coloca, a “falsidade”. Depois de uma desavença sobre uma garota com seu colega de quarto, Holden faz as malas e deixa o colégio imediatamente, no meio da noite. Ele toma um trem para Nova Iorque, mas não quer voltar para o apartamento de sua família imediatamente, ao invés se acomodando em um hotel. Lá ele passa uma tarde dançando com três garotas turistas e tem um encontro mal sucedido com uma prostituta a quem ele paga apesar de não haver consumido seus serviços. Ela exige mais do que o anteriormente combinado e ele não concorda em pagar, acabando por levar uma surra de um cafetão.

Holden passa um total de dois dias na cidade, amplamente caracterizados por bebedeiras e solidão. A certo ponto ele acaba em um museu, onde ele compara a sua vida com as estatuas dos esquimós em exposição. Por tanto quanto ele consegue se lembrar, as estátuas  são fixas e imutáveis. Fica claro para o leitor, senão para Holden, que o adolescente passa pelo medo e ansiedade gerados pelo processo de mudança e de se tornar adulto. Estas preocupações podem ter surgido a partir da morte de seu irmão. Eventualmente ele vai até  o apartamento de seus pais enquanto eles não estão em casa para visitar sua irmã Phoebe, que parece ser a única pessoa com quem ele consegue se comunicar. Para ela, Holden conta sobre uma fantasia recorrente que ele vem tendo; ele se vê como um guardião solitário de várias crianças que estão jogando bola em um enorme campo de centeio à beira de um penhasco. Seu trabalho é apanhar as crianças se elas chegam muito perto de cair.

Depois de deixar o apartamento de seus pais, Holden passa na casa de um ex professor. O conforto que ele sente ao encontrar seu mentor é interrompido quando ele acorda no meio da noite com o (professor) afagando a sua cabeça de uma forma que parece “pervertida”. Holden então deixa a casa e passa a sua última tarde vagando pela cidade.

Holden quer se mudar para a California e conta sobre seus planos para sua irmã, que decide partir com ele. Ele recusa que ela vá com ele, e acaba mentindo dizendo que ele mesmo não vai mais. Holden então leva Phoebe a um zoológico, onde ele fica olhando ela brincar num carrossel. Olhando com alegria e medo ao mesmo tempo ele se dá conta que não pode existir um apanhador que proteja a inocência das crianças, e que elas acabam por ter que por si mesmas encarar a dureza do mundo. 

Holden nunca relata o seu prognostico desde a internação. Sua voz nas últimas paginas do livro indicam que o seu tempo em recuperação o deixou mais calmo e com mais perspectiva, mas ele continua solitário e sem direção.

Holden Caulfield é apresentado como uma figura protetora que quer proteger mentes inocentes como a de sua irmã Phoebe da maldade do mundo.

“ Alguém escreveu FUCK YOU na parede da escola ( de Phoebe ). Isso me deixou louco. Eu pensei o que Phoebe e as outras crianças pensariam ao ler isso. E como ficariam pensando e imaginando o que significava, e então alguma criança mais velha as contaria naturalmente...eu não consigo parar que querer matar quem escreveu isso.”

Queda. Holden escuta de seu professor que ele está  nesta grande queda e que ele nunca saberá quando ele vai atingir o fundo, ele só continuaria a cair e cair.

“ Eu penso que essa queda é um tipo especial de queda, um tipo terrível. Ao homem caindo é permitido sentir bater no fundo, isto foi programado para o homem , que num determinado momento ou outro em sua vida busca por algo que seu ambiente não pode lhe oferecer ou justificar. Isso ocorre para que ele pare de procurar antes mesmo que ele tenha começado.”   

Holden toma esse conselho pessoalmente e enquanto caminha pela 5ª avenida ele pede para seu irmão (já morto) que lhe ajude.

“ Sempre que eu chego no final de um quarteirão eu faço de conta que eu estou falando com meu irmão Allie. Eu digo, Allie, por favor não me deixe desaparecer.”

Já foi interpretado que a atitude de Holden no final do livro é a mesma do começo, o que implica uma falta de distinção entre um romance juvenil ou adulto. Por outro lado, já foi dito que os professores incluem o livro no currículo escolar porque o otimismo no final que “denota que a alienação é apenas uma fase”. Enquanto uma interpretação diz que Holden age de acordo com sua idade, a outra supõe que ele pensa como um adulto por sua habilidade de ver através  das pessoas com claridade.

O livro foi interpretado negativamente por certos críticos que dizem que ele possui apenas respostas negativas aos problemas que expressa.  Em um outro tipo de critica, sua filosofia foi comparada com a de Jean-Jacques Rousseau.

O personagem de Phoebe tem um papel importante em influenciar Holden. Seu nome vem do grego Phoibus, deusa do céu e da lua. Essa comparação sugere que ele serve como uma forma de oráculo para Holden, em quem ele pode confidenciar e buscar conselho. Phoebe também se coloca como um personagem catalítico para Holden, tendo em vista que ele se vê como o apanhador no campo de centeio. Phoebe e Holden parecem intercambiar constantemente papeis enquanto apanhadores e as crianças.

De qualquer forma no final do livro Holden se dá conta que não pode controlar a vida de Phoebe nem a impedir de crescer. Inevitavelmente ela vai cometer erros. Desta forma, Holden de fato mudou no decorrer do romance, e aceitou, a certa extensão, a sua inabilidade em ser o apanhador para Phoebe e para todas as outras crianças – ele deve deixá-las crescer por si mesmas. 

Em 1960, um professor for despedido e depois readmitido por indicar o livro aos seus alunos. Entre 1961 e 1982, o romance foi o livro mais censurado nas escolas e bibliotecas americanas. Em 1981, era ao mesmo tempo o livro mais censurado e o mais indicado nas escolas publicas dos EUA.

A fama do livro foi tamanha que muitos dos censores eram sequer familiarizados com o enredo per se. Uma professora do segundo grau criticou os censores dizendo que eles estavam sendo como Holden... tentando ser os apanhadores no campo de centeio.

Mark Chapman, que assassinou John Lennon em 1980, estava carregando consigo o livro e leu uma passagem do livro em seu julgamento.

John Hinckey que tentou assassinar o presidente Reagan também se disse obcecado pelo livro.

O autor jamais permitiu que o livro, um dos mais vendidos e conhecidos do mundo, se transformasse em filme, embora tanto o livro quanto Holden sejam constantemente citados em diversas produções e inspirado diversos personagens.

Fonte: Wikipedia

Traducao: Drigo

 

 

 

sábado, 1 de novembro de 2008

Desaparecidos

Desaparecidos foi uma banda de punk rock Americana que foi um projeto concebido por Conor Oberst, frontman da banda de indie-folk Bright Eyes. Eles também foram considerados a principal banda do selo Saddle Creek, de Omaha, Nebraska. As letras da banda são na maioria sobre o a situação sócio-politica dos EUA.

Eles foram amplamente tanto criticados quanto celebrados por seu som cru, em contraste com o vocal confessional, às vezes beirando o lamento de do Bright Eyes. O vocal de Oberst no Desaparecidos são muito mais característicos do post hardcore.

O nome é em referência aos presos políticos sul-americanos, que desapareceram sem deixar vestígios. De 1976 à 1983, na Argentina por exemplo, milhares de dissidentes desapareceram durante a Guerra Suja da junta militar então no poder.   

O Desaparecidos rompeu em 2002, enquanto a banda ainda atraia um número crescente de fãs, especialmente depois da tour com Jimmy Eat World e de ter aparecido no Hear it First da MTV americana. Oberst continua gravando com Bright Eyes e dirigindo a Saddle Creek, enquanto outros membros seguiram com outros projetos. Matt Baum estava no The ’89 Cubs, mas atualmente toca bateria para Race for Titles; Denver Dalley está  no Statistics e Intramural, e Landon Hedges está  atualmente no Little Brazil.

Membros:

Conor Mullen Oberst – vocal, guitarra

Landon Hedges – baixo, vocais

Matt Baum - bateria

Denver Dalley – guitarra

 

Album: Read Music, Speak Spanish


Link para upload Manana no rapidshare:



http://rapidshare.com/files/159624145/02_Manana.m4a.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Trinta e Um de Outubro

O Dia das Bruxas é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos EUA, Canadá, Irlanda e Reino Unido tendo como base e origem as celebrações pagãs   dos antigos povos celtas..

.A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã Bretanha   entre os anos 600ac e 800dc, embora com marcadas diferenças em relação à forma como é celebrado hoje, forma essa exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão" na língua celta).

A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:


Origem Pagã

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas  pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam “o céu e a terra” (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como “médiuns” entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.


Origem Cristã

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifacio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (panteão) num templo cristão e o dedicou a “Todos os Santos”, a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos  inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas Papa Gregório III(† 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallows Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een” até chegar à palavra atual “Halloween”.

Visto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome atual da festa:Hallow Evening -> Hallowe'en -> Halloween. Rapidamente se conclui que o termo "Dia das bruxas" não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua (oficial) portuguesa.

Outra hipótese é que a Igreja Católica  tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain instituindo restrições na véspera do dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows' Eve.

A relação da comemoração desta data com as bruxas propriamente ditas teria começado na Idade Media  no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos de fé.

Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses (povo de etnia e cultura celta) no século XIX ficou assim conhecida como "dia das bruxas", uma lenda histórica.

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um caráter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos “disfarces”, muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra (peste bubônica), que dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar. Possivelmente, a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, “doce ou travessura”), teve origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500 1700). Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados.Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I. O plano, conhecido como Gunpowder Plot (“Conspiração da pólvora”), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida. Em pouco tempo a data converteu se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo lhes: trick or treat(doce ou travessuras). Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses.Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa.

A celebração do 31 de Outubro – muito possivelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas – vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos “neo pagãos”, e em alguns casos assume até mesmo o caráter de celebração satânica e ocultista. Hollywood contribui para isso com vários filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual a violência plástica e os assassinatos acabam por criar no espectador um estado de angústia e ansiedade. Muitos desses filmes, apesar das restrições de exibição, acabam sendo vistos por crianças, gerando nelas o medo e uma idéia errônea da realidade.A ligação dessa festa com o mal e com o ocultismo se comprova também pelo fato de que na noite do 31 de outubro se realizam na Irlanda, nos Estados Unidos, no México e em muitos outros países missas negras e outras reuniões desse tipo.Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos desses elementos. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e toda espécie de monstros horríveis, que às vezes chegam a ter conotações verdadeiramente satânicas.

Fonte: Wikipedia



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ghost World é o Filme de uma Geração

A música “Turn My Way” do álbum Get Ready do New Order diz: “ I do not want to be like other people are, don’t want to own a key, don’t want to wash my car, don’t want to have to work like other people do. I want it to be free. I want it to be true.” Esta letra resume o que eu vejo na atitude em relação à vida de algumas pessoas da minha geração e muito mais pessoas das gerações que vieram após a minha. Um sentimento de que somos especiais e únicos demais para termos empregos e vidas “normais”. Eu, que vejo através de toda a névoa de mediocridade e compreendo a verdadeira essência da vida, devo perseguir meus ideais e todo o resto do mundo deve a) pagar por isso e, b) ser grato enquanto recipientes de minha inerente genialidade.

Olhe ao redor. Desde o final dos anos 60, todos os filmes, toda a música, livros e tudo o mais está cheio de mensagens sublineares sobre o quão especial você é e como você deve “seguir o ser coração” e “caminhar o seu caminho”. A maioria dos filmes é cheio de adulações àqueles que “quebram as regras”. Agora mais do que nunca as mensagens estão em todo lugar sobre a) como ser uma celebridade é o mais alto estado de realização humana possível, e b) você também será uma estrela, é apenas uma questão de tempo até que alguém enxergue a genialidade de sua alma. Eu me lembro de ler um artigo no New York Times onde entrevistaram adolescentes que largaram o segundo grau sobre como eles pensavam em viver suas vidas. Um deles disse que não seria um problema ter largado a escola porque ela seria uma modelo, e, se não desse certo, seria veterinária.

Onde a música do New Order toca mais fundo é quando “casa” esse sentimento de “ser especial demais para ter um emprego normal” com o sentimento que devemos nos manter fiéis a nós mesmos e experimentar as coisas como elas “realmente são”. Não ser consumido por toda a mediocridade da vida contemporânea, particularmente no que diz respeito ao ideal americano. Também funciona reversamente – podemos nos sentir especiais e puros e verdadeiros demais para suportarmos um emprego normal, porque vemos através de toda a mediocridade e isso faz mais difícil “fazer parte do sistema” do que o é para as pessoas “normais” que, assumimos, só pensam em ir ao shopping, em comer fast-food, manter conversações superficiais e assistir superproduções no cinema. Veja bem que conveniente - de qualquer jeito tudo trata de o quão especial você é e como você sozinho consegue enxergar toda a mediocridade.   

Ghost World resume esse fenômeno. O filme é sobre uma garota ( Enid )  que vê sarcástica e cinicamente a mediocridade de tudo o que acontece ao seu redor, e como ( com cinismo e sarcasmo ) ela lida (ou não lida) com isso.

Recheado de numerosos detalhes que acabam formando um mosaico, a trama corre e é contada com pequenos toques que acumulam no seu decorrer. Me ocorreu na última vez que assisti que o senso de humor seco e foco nos pequenos detalhes de Napoleon Dynamite não poderiam existir se esse filme não tivesse sido feito.

A razão pela qual Ghost World funciona tão bem é que a grande maioria das pessoas é induzida a acreditar que Enid tem razão. O mundo ao seu redor é permeado por falsa e forçosa sinceridade, banalidade, por um agarrar-se desesperadamente a elusivas visões de felicidade. Uma quantidade de risadas é gerada pela primeira metade do filme ao reconhecermos os detalhes preciosos de nossas próprias vidas, e a excitação que provem de encontramos um filme que compartilha a mesma visão de mundo que nós possuímos.

Enid enxerga o quão estúpido, falso e sem sentido é virtualmente todo aspecto da realidade suburbana que a circunda. E, como uma pessoa inteligente, ela não quer participar nessa realidade. Ela quer ser diferente, ficar ao mesmo tempo marginal à cultura e poder desdenha-la e  também ser sincera em seus próprios atos e sentimentos. Os vários comentários cáusticos que ela faz a seus amigos podem ser vistos como uma tentativa de conectar com eles sinceramente, em contraste com a falsidade generalizada ao seu redor. Ela não é em nenhum momento mais ofendida no filme como quando alguém comenta que seu visual não passa de uma tentativa retrô quando na verdade “se trata de um visual genuinamente punk 77!”

O problema é que, errado, estúpido e falso quanto tudo seja, se você não participar de alguma forma, você acaba embarcando num ônibus sem destino. Este aspecto é o que realmente eleva este filme acima de ser meramente um filme bonitinho sobre nerds adoráveis como Napoleon Dynamite, para ser uma afirmação séria sobre um fenômeno social dessa geração. O ambiente social amplamente analisado, os personagens profundos e realísticos e o quebra cabeça moral delicadamente disposto fazem de Ghost World mais do que a soma de seus personagens.     

Quando eu primeiro assisti o filme no cinema, eu me lembro de especular sobre como ele terminaria; talvez Enid conhecesse alguém, ou ela ganharia uma bolsa para estudar artes, ou algo de bom aconteceria. Durante a última meia hora, quando todas as saídas estavam se fechando para ela, eu me lembro de uma sincera preocupação sobre “o que vai acontecer com essa menina”. Não há dúvidas que o filme não teria nem de perto o impacto que ele de fato tem se não se houvesse tido a coragem de levar sua estória a sua conclusão natural, e de concluí-lo de forma tão artística e evocativa. 

Também me lembro pensando sobre o que eu havia escutado de diversas pessoas que haviam assistido o filme antes de mim dizer: que era hilário! Eu só podia balançar minha cabeça; com certeza há momentos engraçados, mas de uma maneira geral, para mim esse filme é angustiantemente doloroso. Provavelmente porque eu me reconheça e reconheça diversos de meus amigos na luta de Enid por permanecer livre de toda a mediocridade que nos rodeia. E também a sua resistência ao ser forçada a participar numa sociedade que não dá opção entre fazer parte ou simplesmente desaparecer.   

Ao perfeitamente capturar a generalizada crueldade de uma cultura inteira, e então evocativamente e precisamente criar uma imagem tão precisa de certa geração e os dilemas morais e espirituais que ela encara, ou recusa encarar, este filme se torna uma afirmação ou uma declaração definitiva da situação atual e futura daqueles que nasceram nos anos 70 e 80.

Fonte: © 2005-2008 Cinema de Merde

Tradução: Drigo

Ghost World está disponível na Vídeo Beta.

Diretor: Terry Zwigoff

Com: Thora Birch, Scarlett Johansson, Steve Buscemi, Illeana Douglas, Bob Balaban

Wiki:  Ghost World é um filme de 2001 baseado num comic book de Daniel Clowes. Apesar de o filme não ter sido um sucesso comercial recebeu diversos prêmios e foi aclamado pela crítica estabelecendo-se com um Cult e ícone pop.

A estória foca na vida de duas adolescentes e sua vida suburbana, presumidamente nos arredores de Los Angeles.